Procuradoria Geral da República – Direito dos Transexuais alterarem nome e sexo no registro civil mesmo sem realizar cirurgia


Banheiro para Transexuais e Travestis na Tailândia

Banheiro para Transexuais e Travestis na Tailândia

A Procuradoria-Geral da República entrou com ação no Supremo Tribunal Federal para que seja reconhecido o direito de transexuais alterarem nome e sexo no registro civil mesmo para os que não fizeram a cirurgia para mudança de sexo (transgenitalização). A ação foi proposta pela procuradora Deborah Duprat, enquanto estava à frente da PGR.

Segundo ela, o não reconhecimento do direito de transexuais à troca do prenome e da definição de sexo (masculino ou feminino) no registro viola preceitos fundamentais da Constituição, como os princípios da dignidade da pessoa humana, da vedação à discriminação odiosa, da igualdade, da liberdade e da privacidade.

“Impor a uma pessoa a manutenção de um nome em descompasso com a sua identidade é, a um só tempo, atentatório à sua dignidade e comprometedor de sua interlocução com terceiros, nos espaços públicos e privados”, afirma a procuradora.

O alvo da ADI 4.275 – Ação Direta de Inconstitucionalidade é o artigo 58 da Lei 6.015/73. Segundo o artigo, “o prenome será definido, admitindo-se, todavia, a sua substituição por apelidos públicos notórios” (redação dada pela Lei 9.708/98). Duprat entende que o termo “apelido público notório”, no dispositivo, refere-se ao nome social adotado pelos transexuais – geralmente um nome do sexo oposto ao seu biotipo com o qual a pessoa é identificada por amigos, parentes e conhecidos.

A procuradora lembrou que a lei brasileira já autoriza a troca de nomes que expõem a situações ridículas ou vexatórias. Para Duprat, se a finalidade é proteger o indivíduo de humilhações, a permissão deveria alcançar a possibilidade de troca de prenome e sexo dos transexuais nos documentos civis.

Para a procuradora, os transexuais que não se submeteram à cirurgia para mudança de sexo devem obedecer a alguns requisitos antes de ter direito à troca dos dados no registro civil. Deborah Duprat entende que eles devam ter idade igual ou superior a 18 anos e mostrar convicção de ser do gênero oposto há pelo menos três anos. Também deva ser presumível, com alta probabilidade, que não mais voltarão à identidade do seu gênero de origem. Esses requisitos seriam atestados por uma junta de especialistas que avalie aspectos psicológicos, médicos e sociais.

O artigo acima, bem como a escrita não é nossa, e não somos especialistas nessas questões, mas não deixa de ser interessante (juridicamente) e salutar refletirmos sobre o assunto. Não somos contra, e sob a ótica jurídica constitucional a Ação está bem e logicamente fundamentada. A questão é social, não só em relação ao impacto na comunidade como também o prazo de 3 anos e a junta de especialistas. Nesse último quesito, por que não ser preferencial ou até obrigatório pelo menos um dos membros dessa junta ser transexual e psicóloga, com experiência de vida, de constrangimentos inclusive, para avaliar se realmente a pessoa deseja de maneira permanente.

Outra questão diz respeito a um eventual arrependimento. Nessas situações a pessoa pode voltar a ter seu nome anterior? Não nos parece lógico que não seja possível.

Veja notícia do Portal da Globo sobre Banheiro para Transexuais na Tailândia.

Aqui no Brasil a UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro “liberou” a utilização pelos Transexuais e Travestis do banheiro feminino.

A UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro oferece desde 2007 o curso de Formação em Diversidade Sexual e identidades de Gênero.

O SUS – Sistema Único de Saúde está realizando cirurgias. Tudo começou em 2007 quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região – Sul julgando recurso interposto pelo Ministério Público Federal determinou o custeio da cirurgia. Logo em seguida a Cautelar foi derrubada pelo STF – Minstra Ellen Grace. Porém, abriu as portas para a discussão social e política sobre o assunto e agora já é possível realizá-la mediante avaliação social, psicológica etc.


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Investigação de Paternidade de Filhos Nascidos Fora do Casamento – Recusou a fazer Exame é Pai e Não se Discute.


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O Senado aprovou dia 15/7/09, o Projeto de Lei – PLC 53/07 que regula a investigação de paternidade de filhos nascidos fora do casamento.  Essa lei modifica os dispositivos da Lei de Investigação de PaternidadeLei 8.560/92 (o projeto também revoga a lei 883/49 – reconhecimento dos filhos ilegítimos) estabelecendo a presunção de paternidade no caso de recusa do suposto pai em submeter-se ao exame de código genético (mais conhecido como exame de DNA) em Ação Judicial. O projeto aprovado, para entrar em vigor, precisa ser sancionado pelo  presidente (e depois publicado em Diário Oficial).

A paternidade não será reconhecida de plano (sem questionamentos). Deverá ser levado em conta o conjunto probatório e o contexto da relação.

Ora, não será possível reconhecer a paternidade se não houve relacionamento entre a mãe e o suposto pai (desde que comprovado de alguma forma).

Não será possível presumir a paternidade se houver provas suficientes que demonstrem a falta de fundamento da ação.

O teste apresenta mínima possibilidade de erro, mas a existência dessa ínfima margem justifica a cautela nas decisões.

A aprovação levou em conta que o direito à paternidade sobrepõe-se ao argumento de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si, frequentemente utilizada na tentativa de se legitimar a recusa se submeter ao exame de DNA (ácido desoxiribo-nucleico). A decisão, conforme o Senado, ainda se justifica pois o direito à filiação está ancorado na Constituição pois a identidade da pessoa,  “está diretamente ligada à sua imagem e à sua honra“.

O Ministério Público, por sua vez, vinha lutando para que a jurisprudência se consolidasse em favor dos filhos que dependem da identificação genética dos supostos genitores.

A questão já está sumulada no STJ – Superior Tribunal de Justiça desde novembro de 2004. A súmula 301 determina: em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade.


JURISPRUDÊNCIA

1 – Esse entendimento começou a ser consolidado em 1998. Seguindo o voto do ministro Ruy Rosado, a 4ª Turma do STJ decidiu que a recusa do investigado em submeter-se ao exame de DNA — no caso concreto, marcado por 10 vezes, ao longo de quatro anosaliada à comprovação de relacionamento sexual entre o investigado e a mãe do menor gera a presunção de veracidade das alegações do processo (REsp 13.536-1).

2 – Em outro caso, o suposto pai ter se recusado, por três vezes, a fazer o exame. “A injustificável recusa do investigado em submeter-se ao exame de DNA induz presunção que milita contra a sua resignação”, afirmou em seu voto (REsp 55.958 – Relator: Ministro Bueno de Souza).

3 – A 3ª Turma do STJ também consolidou essa posição ao decidir que, “ante o princípio da garantia da paternidade responsável, revela-se imprescindível, no caso, a realização do exame de DNA, sendo que a recusa do réu de submeter-se a tal exame gera a presunção da paternidade” (REsp 25.626-1 – Relatora: Ministra Nancy Andrighi).

4 – Outro julgado: REsp 46.030-2.

Muitos foram os julgamentos que seguiram essa posição até que o STJ sumulou (se posicionou dizendo como o Tribunal julgará casos semelhantes) a questão, agilizando os processos nas duas turmas da 2ª Seção que é especializada em Direito Privado.

Vejamos um pouco da lei 8.560/92

A Lei 8.560/1992, que regula a investigação de paternidade dos filhos havidos fora do casamento determina que em registro de nascimento de menor apenas com a maternidade estabelecida, o oficial remeterá ao juiz certidão integral do registro e o nome e prenome, profissão, identidade e residência do suposto pai, visando à verificação oficiosa da legitimidade da alegação.

Se o suposto pai não atender, em 30 dias, à notificação judicial, ou ainda negar a alegada paternidade, o juiz remeterá o os autos (que ainda não é processo) ao representante do Ministério Público para que ajuíze (se houver indícios suficientes) a ação de investigação de paternidade.

Estabelecida a ação judicial, formando-se a base triangular Autor (criança ou adolescente representado pelo mãe ou Ministério Público), Réu (suposto pai) e Juiz (Estado) e o réu negar a realização do exame poderá o juiz com base nessa lei (depende da sanção do Presidente) sentenciar declarando o réu o pai do autor.

Para aprofundar no tema e saber um pouco mais sobre o DNA etc, veja o Link da Universidade Federal de Viçosa em Minas Gerais.

Fiquem atentos, Abraços.


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